Publicidade & Cidadania

Por Dênis de Moraes

“A publicidade contemporânea fomenta uma mentalidade consumista fortemente orientada para a disseminação de um vasto leque de idéias e bens em gigantescas bases mercadológicas. Os produtos e as marcas de ponta passam a ser aqueles assimilados pelo sistema mundial, relativizando-se a antiga noção de território como fator de unidade geocultural. Os conteúdos das campanhas publicitárias globalizam signos sociais e referências culturais, estimulando a formação de uma memória coletiva traçada e reconhecível em estilos de vida desterritorializados, e não mais em especificidades históricas. Por conseguinte, as dinâmicas do consumo assumem a hegemonia na gestão dos espaços sociais, acima de limites geográficos, raças, classes sociais, religiões e laços comunitários. As sociedades passam a ser guiadas pela astúcia do marketing e dos planejamentos de longo alcance — ambos possuídos pela fixação de manter o capital em rotação e rentabilizá-lo ao máximo.

A maximização de lucros norteia-se por pressupostos semelhantes aos dos impérios de informação e entretenimento: descentralização das áreas operacionais; reengenharias para incremento de produtividade; absorção e implementação de novas tecnologias; acordos e parcerias através dos quais se mesclam estoques de munição financeira e know-how tecnológico que nenhuma firma, isoladamente, teria condições de mobilizar e garantir. E com a vantagem de diluir os aportes financeiros entre os participantes e, por extensão, as margens de riscos. Trata-se, assim, de uma reconcentração de capital em empreendimentos e campanhas de longo alcance geográfico, com expectativa de polpudos retornos em função da economia de escala e do progressivo alinhamento das contas dos clientes multinacionais em agências globais.”

Com base nestas infrmações, podemos concluir que a globalização impactou as sociedades e culturas do mundo inteiro. Foi muito bom para o crescimento intelectual e cultural, mas aos mesmo tempo, nossa sociedade esteve e está muito exposta às culturas que de certa forma impõem o seu estilo de vida que influenciam fortemente o comportaento da nossa nação.

Um site postou uma matéria interessante sobre o papel da publicidade no consumo. Vejam as partes mais importntes:

“Aparentemente tão efêmeros, tão descartáveis, tão banais, por que será que um consumidor brasileiro exposto em média a, por exemplo, 40 mil mensagens publicitárias por ano presta atenção – ao contrário do que se pensa – aos nossos comerciais, anúncios, jingles, slogans?”

“Pesquisa recente do respeitável Starch Roper Institute, de Londres, revela que nunca as pessoas estiveram tão interessadas em publicidade quanto nestes últimos 10 anos.”

“E por que isto está acontecendo? Seriam os anúncios que teriam se tornado mais atraentes? Infelizmente, esta hipótese ainda não é verdadeira: para especialistas em estética publicitária apenas cinco por cento do que é veiculado no mundo pode ser considerado original, brilhante, memorável.”

“A luta pela cidadania passa pelo acesso à condição de consumidor”.  

“Seria parcial, talvez até falsa, a visão do consumo como determinada apenas pelo interesse do capital.”

 “O consumo, na prática, seria então uma forma de linguagem através da qual cada um de nós fala sobre si mesmo e sobre a sua relação com os outros, marcando e deixando muito claro nosso lugar no mundo.”

“É como se fosse parte de seu dia-a-dia a obsessão pelo aprimoramento do profissional de mídia, a defesa do desenvolvimento sustentado das agências brasileiras, o rigor com a ética da linguagem publicitária e a sua postura como parte da cúpula de uma empresa-líder do mercado publicitário brasileiro e uma das maiores do mundo.”

Matéria muito interessante. Vejam em http://www.umacoisaeoutra.com.br/marketing/armando.htm

Sim. Nós somos manipulados pela indústria cultural!!!

Indústria Cultural é um termo usado pelos sociólogos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkeimer. A Indústria Cultural é fruto da sociedade industrializada, de tipo capitalista liberal. Mais especificamente, porém, a indústria cultural concretiza-se apenas numa segunda fase dessa sociedade, a que pode ser descrita como a do capitalismo de organização (ou monopolista) ou, ainda, como sendo a sociedade dita de consumo. Ao lado da defesa da Indústria Cultural está a tese de que não é fator de alienação na medida em que sua própria dinâmica interior a leva a produções que acabam por beneficiar  o desenvolvimento do homem. A favor desta idéia lembra-se, por exemplo que as crianças hoje dominam muito mais cedo a linguagem graças a veículos como a TV. O acúmulo de informação acaba por transformar-se em formação dos indivíduos, isto é, a quantidade provocando alterações na qualidade. Ou que a Indústria Cultural acaba por unificar não apenas as nacionalidades mas também as próprias massas. Entendido como um processo no qual o indivíduo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social circundante, transformando-se com isso em mero joguete e, afinal, em simples produto alimentar do sistema que o envolve.

 A alienação é um fator causado pela cultura de massa proveniente da indústria cultural….

Para saber mais, indico  livro Convite à Filosofia da Marilena Chauí. Leiam, reflitam e pensem que não temos que estar inseridos nesta cultura e sim, podemos ter a opção de escolher a cultura que queremos seguir..

A publicidade tem um grande impacto no desenvolvimento infantil.

Diversos estudos na área da comunicação, são dedicados ao impacto que a publicidade causa nas crianças. É um público  altamente influenciável e se tornou o alvo predileto das empresas que investem cada vez mais em publicidade e ações voltadas para crianças.

Estudos mostram que as crianças e adolescentes passam grande parte do tempo em frente à TV, assistindo diversos programas, onde os mesmos, muitas vezes não se enquadram na classificação indicada para a idade deles.

Além disso, os programas infantis estão repletos de apelos sexuais que apresentam tipos de comportamentos e “estilos de vida” que não condizem com o desenvolvimento desta fase. Tudo o que é visto na Tv é absorvido e embutido no comportamento.

Um exemplo a ser citado sobre o apelo sexual na mídia para as crianças é o grupo É O TCHAN! Todos se lembram do grupo de axé que fez muito sucesso com suas danças sensuais e que faziam todos imitarem, inclusive as crianças. E isso eu posso dizer de carteirinha, pois eu fui uma delas. Dançar na “boquinha da garrafa” era uma mera dança com a qual nos divertíamos, mas ainda sim, com 10 anos, já sabíamos o significado do que a música dizia, pois a dança falava por si só.

As crianças são alvo fácil, pois atraídas pelo apelo comercial na mídia, ela será influenciada e pedirá para os pais aquele brinquedo, aquele biscoito que ela viu no comercial ou no programa infantil em que seu ídolo saboreou.

Muitos pais são contra as propagandas para o público infantil. Um livro maravilhoso que aborda bem o tema da publicidade em relação ao consumidor é PUBLICIDADE X CONSUMIDOR de Giano Giacomini Filho. Há uma parte do livro dedicada ao imacto sofrido pelas crianças e como elas são manipuladas através das propagandas. Apresenta dados e pesquisas sobre assunto de forma clara e interessante para o leitor.

A mídia é importante para o desenvolvimento de qualquer indivíduo, pois necessitamos de informação. O problema é quando o fator COMERCIAL se sobrepõe à cidadania.

Welcome to WordPress.com. This is your first post. Edit or delete it and start blogging!

Criado-mudo